Moradores cobram prefeito e denunciam abandono em Alter do Chão: “A vila virou casa da mãe Joana”

Publicado originalmente no site o-boto.com, um relato sobre a visita do prefeito de Santarém, José Maria Tapajós, a Alter do Chão escancarou um cenário de insatisfação generalizada. Moradores e lideranças locais aproveitaram a presença do gestor e de secretários municipais para cobrar soluções urgentes para problemas crônicos, como a sujeira na praia, a falta de serviços públicos básicos, ausência de fiscalização e o crescimento desordenado da vila.

A ida do prefeito José Maria Tapajós a Alter do Chão, no último dia 8 de janeiro de 2026, entrou para a história da vila como um momento raro de escuta direta da população. Acompanhado por um grande grupo de secretários, o gestor promoveu uma reunião para avaliar o primeiro ano de governo, abrindo espaço para elogios, críticas e cobranças. E elas vieram em peso.

Apesar do tom descontraído adotado pelo prefeito, que chegou a comparar Alter a uma “mulher bonita que precisa de um batom”, os moradores deixaram claro que os problemas vão muito além de detalhes estéticos. A principal queixa foi a falta de serviços públicos básicos e o abandono sentido pela comunidade, especialmente nos períodos de alta temporada, quando o fluxo turístico aumenta e a infraestrutura não acompanha a demanda.

A sujeira na praia e nas áreas centrais da vila foi um dos pontos mais criticados. Moradores defenderam a implantação urgente de uma coleta de lixo noturna, sobretudo nos fins de semana, como forma de reduzir o acúmulo de resíduos. “O que é bom para o turista é bom para o morador”, resumiu a moradora Tamara Saré, ao cobrar soluções simples e imediatas.

Outro tema recorrente foi a ausência de fiscalização. Lideranças comunitárias afirmaram que Alter do Chão vive uma sensação de impunidade, com ocupações irregulares, desordem urbana e falta de controle ambiental. “Alter, infelizmente, virou casa da mãe Joana”, foi uma das frases mais ouvidas durante a reunião. Um abaixo-assinado com mais de mil assinaturas já circula na vila e deve ser entregue às autoridades, cobrando providências.

O cacique Maduro voltou a exigir a aprovação do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA), considerado essencial para conter a degradação ambiental e organizar o crescimento da vila. Ele e outros participantes lembraram que muitos estudos e propostas já foram elaborados no passado, mas seguem engavetados pelo poder público.

A população também cobrou a devolução da ambulância da vila, melhorias no transporte público e a criação de um circuito interno de ônibus, promessa antiga que nunca saiu do papel. Moradores relataram dificuldades no atendimento de saúde e na mobilidade, agravadas pelo crescimento acelerado de Alter do Chão nos últimos dez anos, que hoje abriga cerca de 12 mil habitantes sem infraestrutura adequada.

Em resposta às cobranças, o prefeito José Maria Tapajós afirmou que não considera Alter do Chão desassistida, mas reconheceu falhas que, segundo ele, serão corrigidas ao longo do mandato. Garantiu que a ambulância será devolvida em fevereiro, anunciou a chegada de novos ônibus para o município e prometeu reforçar a fiscalização de trânsito. Sobre o lixo, admitiu que o problema se agrava em feriados e defendeu a divisão de responsabilidades entre poder público e moradores, citando o novo marco do saneamento.

Já a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA) alegou falta de pessoal para atuar nos fins de semana e informou que estuda parcerias, inclusive com a Polícia Militar, para reforçar a fiscalização. A secretaria também prometeu colocar o Plano de Manejo da APA na pauta ainda este ano.

Ao final do encontro, ficou evidente que, apesar do diálogo aberto, a paciência da população de Alter do Chão está no limite. Entre promessas e cobranças, os moradores deixaram um recado claro ao prefeito: a vila turística mais famosa de Santarém exige respeito, planejamento e ações concretas, antes que os problemas se tornem irreversíveis.

Fonte: O Boto

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