Santarém se prepara para viver dois dias de celebração, memória e pertencimento com a chegada da primeira edição do Festival Mvúka Tapajós, que acontece nos dias 28 e 29 de março. O evento surge como um espaço de valorização da cultura afro-brasileira e afroamazônida, reunindo arte, tradição e território em uma programação que fortalece identidades e dá visibilidade a saberes historicamente marginalizados.
Aprovado pela Lei Aldir Blanc, o festival aposta em uma proposta afro-referenciada, combinando formação, apresentações culturais e incentivo à economia criativa local. Durante os dois dias, o público poderá participar de oficinas, acompanhar shows e visitar uma feira criativa e gastronômica que destaca o trabalho de empreendedores ligados à cultura e às tradições da região.
O nome “Mvúka”, de origem bantu, vem da língua kikongo e remete à ideia de encontro coletivo, celebração e festa. No Brasil, a palavra acabou sendo popularizada como “muvuca”, muitas vezes usada de forma negativa. O festival propõe justamente inverter esse sentido, reafirmando os ajuntamentos negros como espaços legítimos de convivência, produção cultural e resistência.

De acordo com a coordenadora do evento, Andressa Sousa, o conceito ganha ainda mais força na Amazônia, onde a proposta também representa uma reconexão com o território e com as raízes afroamazônidas. A iniciativa convida o público a ocupar espaços com arte e memória, reforçando a ideia de que celebrar também é um ato de resistência.
Com uma equipe formada majoritariamente por pessoas negras e com protagonismo feminino, o festival também provoca reflexões sobre processos históricos que marginalizaram práticas como o batuque, o samba e os encontros populares. No Mvúka Tapajós, essas expressões ganham novo significado e são apresentadas como símbolos de identidade e força coletiva.

A programação começa no sábado (28), com oficinas de dança de carimbó, samba de roda e percussão, realizadas na Ufopa e no Porão Centro Cultural. À noite, o público poderá acompanhar uma roda de batuque com o coletivo Batuque Santareno, marcando o encerramento das atividades do primeiro dia.
No domingo (29), o festival segue no Quintal Sapucaia, com uma feira criativa e gastronômica que reúne empreendedoras locais e produtos da economia afroamazônida, além de apresentações culturais que incluem samba, brega e outros ritmos da região.
As oficinas são gratuitas e têm vagas limitadas, com inscrições feitas pela internet. A proposta é garantir acesso democrático e incentivar a participação da comunidade em uma experiência que vai além do entretenimento, consolidando o Mvúka Tapajós como um movimento de valorização cultural, resistência e celebração coletiva em Santarém.
PROGRAMAÇÃO FESTIVAL M’VUKA TAPAJÓS
Sábado (28)
OFICINA 1 – DANÇA DE CARIMBÓ
Horário: 15h às 16h
Local: UFOPA Campus Rondon (Av.Marechal Rondon s/n- Bairro Caranazal,
CEP 68040-070)
Sala H202
Ministrante: Alice Matos (Batuque Santareno)
OFICINA 2 – SAMBA DE RODA
Horário: 16h às 17h
Local: UFOPA Campus Rondon (Av.Marechal Rondon s/n- Bairro Caranazal,
CEP 68040-070)
Sala R1
Ministrante: Amanda Silvino
OFICINA 3 – PERCUSSÃO PARA O CARIMBÓ
Horário: 17h30 às 19h
Local:Porão Centro Cultural (Rua 24 de Outubro,1330, Bairro Aldeia)
Ministrante: Amaury Gonçalves e Maurício Sousa (Batuque Santareno)
CULMINÂNCIA DAS OFICINAS – RODA DE BATUQUE
Horário: 19h30 às 22h
Local: Porão Centro Cultural (Rua 24 de Outubro,1330, Bairro Aldeia)
Apresentação do coletivo Batuque Santareno
Domingo (29)
A programação segue no Quintal Sapucaia (Av. São sebastião, 1233, Bairro
Aldeia) das 11h30 às 18h, com Feira criativa e Gastronômica (parceria com
kitanda preta) reunindo 10 empreendedoras locais com comidas,
produtos autorais e economia criativa afro amazônida. Além de
apresentações culturais de samba, brega e outros ritmos amazônicos.
Programação Cultural
13h – Sambatuque
16h – Caldo de Piranha
18h – Encerramento
As inscrições para as oficinas são gratuitas e podem ser feitas pelo link via
formulário: https://forms.gle/pdpFZA7DANDUaiwT9. As vagas são
limitadas (15) e é possível fazer mais de uma oficina, mas está
condicionada a disponibilidade e confirmação via WhatsApp.
Fotos: Bárbara Vale

