Na hora de decidir pelo tratamento ortodôntico, muitos ainda acreditam que o objetivo é apenas alinhar os dentes. No entanto, segundo a cirurgiã-dentista, especialista em Ortodontia e docente do curso Odontologia da Unama Santarém, Natália Aguiar, a principal função é a saúde funcional da boca, incluindo a mastigação, a fala e a articulação. O aparelho deixou de ser um estigma social para se tornar sinônimo de cuidado e até status.
Para Natália, a mudança de comportamento da sociedade ajudou a quebrar preconceitos antigos. Atualmente, o uso do aparelho é visto como um investimento em si mesmo. Isso aumentou a procura por parte de adultos que antes adiavam o tratamento por insegurança. Contudo, a ortodontia não é moda e serve para facilitar a higiene e melhorar a mordida.
Um dos pontos mais críticos abordados pela especialista é a perigosa tendência de usar aparelhos falsos, feitos com materiais improvisados, como cerdas de vassoura. Natália alerta que essa prática pode causar danos irreversíveis.
“Um aparelho falso ou improvisado pode movimentar os dentes da forma errada, tornando o caso muito mais complexo de corrigir no futuro. Além disso, há a possibilidade de causar dor, inflamação na gengiva, feridas, reabsorção da raiz e até danos permanentes”, explica.
Sem idade “perfeita”, mas com tempo certo
Existe o mito de que há uma idade única para iniciar o tratamento. Porém, de acordo com a especialista, o momento ideal depende de cada diagnóstico clínico e do crescimento ósseo.
Em crianças: a primeira consulta deve ocorrer por volta dos 5 anos para identificar alterações precoces e aproveitar o crescimento ósseo;
Em adultos: o tratamento é plenamente eficaz, desde que haja saúde bucal e acompanhamento individualizado. A intervenção na infância é estratégica, pois pode evitar complicações mais graves e até cirúrgicas nessa fase.
Por que o metálico ainda é o “carro-chefe”?
Apesar do surgimento de tecnologias invisíveis, o aparelho metálico convencional continua sendo a ferramenta mais recomendada para casos complexos devido à sua alta precisão e resolutividade. Segundo a docente do curso de Odontologia da Unama Santarém, a melhor escolha não é a mais moderna, mas a mais indicada para o problema específico do paciente.
“Ele permite um controle muito preciso dos movimentos dentários. Além disso, costuma ser uma excelente opção quando precisamos de correções mais detalhadas”, explica Natália.
Disciplina na higiene
O sucesso do tratamento depende diretamente da disciplina do paciente com a limpeza, já que os bráquetes retêm mais placa bacteriana. Para evitar cáries e manchas no esmalte, Natália cita o “kit” de sobrevivência do paciente ortodôntico: escova dental macia e creme dental com flúor; fio dental com passa-fio; escova interdental; e irrigador oral (como complemento em alguns casos).
Para quem adia o tratamento por receio de dor ou estética, a especialista reforça que o desconforto inicial é leve e passageiro. O resultado final impacta diretamente na segurança para falar e sorrir. “Ortodontia não é vaidade. É saúde, bem-estar e autoestima. Sempre é tempo de cuidar do sorriso com segurança e orientação profissional”, conclui.
Fonte: Divulgação I Unama

