Rock retoma a Praça da República em Belém em noite histórica de resistência cultural

A Praça da República, em Belém, voltou a pulsar como nos velhos tempos. Não foi apenas um show, foi um reencontro. Um retorno simbólico e poderoso do rock às suas origens, ao chão onde ideias, acordes e sonhos sempre circularam livres. Ali, sob o céu da capital paraense, Cláudio Wallace cantou pela primeira vez “Liberdade Fria” ao lado de Roosevelt Bala, vocalista da STRESS, banda paraense pioneira do Heavy Metal brasileiro. Um momento histórico, carregado de emoção e muito significado.

A apresentação aconteceu durante dois eventos autorais que marcaram o fim de ano e reacenderam a chama do fantástico mundo do rock and roll: o Festival O Rock é o Alvo, idealizado por Matias Lemos, e o Festival Carnarimbó, criado pelo Mestre Palheta. Ambos são iniciativas independentes, nascidas da urgência de ocupar novamente os espaços públicos com arte, música e identidade cultural. Em tempos de ausência do poder público, isso tem nome: resistência.

No palco do anfiteatro da Praça da República, Cláudio Wallace apresentou o “O Fantástico Mundo do Rock’n’Roll”, primeiro no dia 21 de dezembro, no Rock é o Alvo, e depois, uma semana mais tarde, no dia 28, no Carnarimbó. Dois shows autorais, intensos e cheios de alma, que mostraram que o público continua ávido por música feita com verdade. A praça estava viva, e cheia.

O Festival O Rock é o Alvo contou com o apoio do programa Rock Made In Amazon, que também esteve no meio da galera. Wallace e a produtora Débora Borba circularam entre o público, ouvindo histórias, sentindo a energia e reforçando a conexão direta entre artista e plateia, essência do rock e da cultura popular.

Para Matias Lemos, idealizador do festival, a terceira edição teve um foco claro: valorizar os roqueiros paraenses e a produção autoral. Ele destacou a trajetória e a perseverança de Cláudio Wallace, que há décadas carrega o rock do Pará para o Brasil e o mundo. Lemos adiantou que já planeja a quarta edição para fevereiro, em ambiente fechado, no Teatro Waldemar Henrique, palco histórico onde, nos anos 70, muita coisa começou. “O Rock é o Alvo está resgatando o berço do rock paraense”, afirmou.

Cláudio Wallace lembrou que sua história com a Praça da República vem de longe. “No início da minha carreira, lá em 86, eu frequentava esse espaço com amigos de bandas da época. A gente se encontrava ali, no Bar do Parque, pela praça, pelo Teatro Waldemar Henrique, para falar de música, tocar, conhecer o trabalho uns dos outros. Foi uma geração que bateu na trave para levar o rock para todo o Brasil”, recordou.

Wallace destacou que, diante da retirada de projetos culturais das praças por parte do governo, os artistas decidiram arregaçar as mangas. “Não estamos tendo apoio das secretarias. Antes, existiam projetos que levavam artistas para as praças e regiões metropolitanas, ajudando a manter os músicos ativos. Como isso acabou, resolvemos fazer no braço, unidos, cada um contribuindo um pouco.”

O Festival Carnarimbó, idealizado pelo Mestre Palheta, reforçou essa união ao misturar guitarrada, carimbó e rock’n’roll, provando que tradição e peso podem caminhar juntos. “A praça é do povo. E o povo quer música, quer arte, quer mensagens de paz, amor e reflexão”, disse Wallace, emocionado com a resposta do público.

No fim, ficou a certeza: o rock paraense não pede licença. Ele ocupa, resiste e renasce. Se não vier pelo apoio institucional, virá pela força coletiva. Como diz Wallace, se o governo não agir, os artistas seguem no braço, levando o som para praças, orlas e periferias. Porque a liberdade pode até ser fria, mas o rock, esse, continua quente, vivo e necessário para as nossas almas!

Crédito das fotos:
Taciano Cassimiro
Murilo Lima

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