Houve um avanço inesperado do presidente Lula da Silva no 2º turno em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais e São Paulo – Estados considerados de domínio bolsonarista, com governadores aliadíssimos de Flávio Bolsonaro e cujos resultados ajudaram mais ao presidente petista que seu adversário. Os governadores “flavistas” destes Estados pouco ajudaram. Lula cresceu mais que Flávio nestes redutos. Depois do resultado, sumiram os governadores que bateram bumbo na mídia e prometeram a Flávio centenas de milhares de votos. Caso do ex-governador Ronaldo Caiado (GO), e dos eleitos Jorginho Melo (SC) e Cleitinho Azevedo (MG). Numa análise fria do cenário, os caciques bolsonaristas descobriram semana passada que boa parte dos eleitores destes governadores migrou para Lula, não para Flávio.
A verdade
Fato é que não teve roubo, nem fraude, até que alguém prove. E não há provas, por ora. A grande verdade é que o eleitor do Lula que se absteve no 1º turno apareceu em peso no 2º com o chamamento do “Exército” de André Janones. Esse é o poder das redes sociais e do boca-a-boca dos aplicativos de mensagens.
O derrotado do PT
Há derrocada também pelo lado do PT, porém discreta. Um grande derrotado. Ninguém percebeu isso. O desânimo de Fernando Haddad. Usado como bucha de canhão por Lula da Silva em outras eleições (nas quais perdeu), desde que deixou a prefeitura de São Paulo. E no Ministério da Fazenda, para onde não volta, apanhou até do chefe. Não tinha um mês em que o presidente jogava contra as metas.
Como futebol
Um movimento forte nas redes e nos aplicativos de mensagens por celular foi decisivo para a vitória do presidente Lula, no ritmo “Bora Virar!”. No comparativo com o futebol: o brasileiro é emotivo, gosta de torcer, gosta de desafio. Foi como uma partida, todos pro campo atrás da bola, que é o voto; e a urna foi o gol.
De carrinho
Há uma outra verdade incontestável – e nós mostramos apenas um caso aqui na Coluna, o da ministra das Mulheres espalhando fake sobre o vice ser pedófilo. Janones entrou de carrinho por trás nessa partida, jogando sujo em alguns casos, espalhando fake news, como fim do Bolsa Família, fim da escala 5×2, privatização do SUS etc… e deixou o Flávio Bolsonaro na defensiva. Ele teve que usar seu horário na TV e rádio desmentindo.
Michelle foi Lula
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se vingou de Flávio discretamente. Não entrou de cabeça na campanha – e focou sua agenda na ajuda à reeleição de Celina Leão ao Governo do DF. O staff de Flávio esperava que Michelle aparecesse mais nas redes e na TV, buscando o voto feminino. Na véspera da eleição, ainda divulgou uma foto da tornozeleira de Jair Bolsonaro, e fez o povo lembrar por que ele está preso. Ou seja, Michelle, eleita senadora e com vida resolvida, foi… Lula!

