A partir da próxima segunda-feira (12), o santareno vai pagar R$ 4,80 pela passagem de ônibus urbano, valor que coloca Santarém, no oeste do Pará, acima de capitais como Belém e muito próximo das tarifas cobradas em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro, mesmo sem oferecer um sistema de transporte equivalente em qualidade e estrutura.
A Prefeitura de Santarém oficializou nesta quarta-feira (6) o reajuste da tarifa do transporte coletivo urbano por ônibus. O aumento foi estabelecido pelo Decreto nº 010/2026 – GAP/PMS, assinado pelo prefeito José Maria Tapajós, e entra em vigor a partir de segunda-feira, 12 de janeiro.
Com a mudança, a tarifa inteira passa de R$ 4,50 para R$ 4,80, enquanto a meia-passagem estudantil sobe de R$ 1,50 para R$ 1,60. Segundo a gestão municipal, a decisão foi tomada após estudos técnicos e discussões no Conselho Municipal de Transportes. O colegiado chegou a pleitear tarifa de R$ 5,00, enquanto o setor empresarial defendeu valor ainda maior, de R$ 6,65. O Executivo afirma ter optado por um reajuste considerado “moderado”.
Apesar do discurso de equilíbrio financeiro, o novo valor chama atenção quando comparado a outras cidades do país. Em Belém, capital paraense, a passagem custa R$ 4,60, mais barata que a de Santarém. Já em São Paulo, a maior metrópole do Brasil, a tarifa subiu para R$ 5,30, apenas cinquenta centavos a mais que a cobrada no município do oeste do Pará. No Rio de Janeiro, a passagem passou para R$ 5,00, apenas vinte centavos acima do valor santareno.
Outras capitais apresentam tarifas ainda mais elevadas, como Belo Horizonte, onde a passagem chega a R$ 6,25, Fortaleza, com tarifa de R$ 5,40, e Florianópolis, que cobra até R$ 7,70 no pagamento por QR Code. Ainda assim, nesses centros urbanos, o sistema costuma contar com frotas mais novas, maior frequência de ônibus e integração com outros modais.
O decreto também autoriza o reajuste das tarifas do transporte rodoviário intramunicipal, que sobem na mesma proporção da tarifa urbana, além de estabelecer regras de arredondamento para facilitar os pagamentos em moeda fracionada.
De acordo com o secretário municipal de Mobilidade e Trânsito, Marcelino Xavier, o reajuste segue critérios técnicos e legais. A SMT afirma que continuará monitorando o sistema e fiscalizando a qualidade do serviço prestado. No entanto, usuários seguem reclamando de ônibus sucateados, atrasos e falta de melhorias visíveis, o que intensifica o debate sobre o custo-benefício do transporte público em Santarém.

