Santarém prepara Distrito Industrial com 146 lotes e potencial de gerar até 10 mil empregos no oeste do Pará


Projeto integra plano estadual de expansão industrial, que prevê quatro novas áreas para empresas e perspectiva de mais de 170 mil postos de trabalho diretos e indiretos até 2029

Santarém, no oeste do Pará, está entre as prioridades do plano de expansão industrial do Governo do Estado, que prepara quatro novas áreas para atrair empresas, ampliar a produção e gerar empregos. No município, o futuro Distrito Industrial terá 174,84 hectares, distribuídos em 146 lotes, e potencial estimado de gerar até 10 mil empregos diretos e indiretos. Segundo a Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), 144 empresas já estão cadastradas e manifestaram interesse em se instalar no empreendimento.

O projeto de Santarém faz parte de uma estratégia estadual que contempla também o Condomínio Industrial de Castanhal, o Distrito Industrial de Breves e a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Barcarena. No planejamento para o período de 2026 a 2029, a Codec projeta mais de 170 mil empregos diretos e indiretos com a implantação e a ocupação das quatro novas áreas, que juntas terão capacidade para aproximadamente 570 unidades industriais.

A expansão busca ampliar a presença da indústria em diferentes regiões paraenses, estimular o beneficiamento de matérias-primas dentro do próprio estado e fortalecer cadeias produtivas que movimentam setores como logística, alimentos, transformação mineral, construção e serviços.

Santarém avança na preparação do Distrito Industrial
No oeste paraense, o futuro Distrito Industrial de Santarém ocupará uma área de 174,84 hectares e contará com 146 lotes destinados à instalação de empresas. A proposta é atrair empreendimentos capazes de ampliar a atividade industrial regional, agregar valor à produção local e criar oportunidades de trabalho.

De acordo com a Codec, a regularização fundiária foi concluída em três dos quatro imóveis que compõem a área prevista para o empreendimento. Com o avanço dessa etapa, o projeto poderá seguir para a elaboração do projeto executivo de implantação e para os estudos ambientais necessários à continuidade do processo.

A expectativa é que a instalação de novas empresas estimule atividades de beneficiamento da produção regional, armazenamento, transporte e distribuição. A chegada de indústrias também pode ampliar a demanda por serviços técnicos, manutenção, alimentação, embalagens e outros fornecedores locais, criando oportunidades para negócios de diferentes portes.

O interesse manifestado pelas 144 empresas representa uma etapa importante para o planejamento da ocupação, embora a instalação efetiva dos empreendimentos dependa do avanço das etapas técnicas, ambientais e administrativas.

Quatro projetos ampliam a expansão industrial do Pará
Além de Santarém, o plano estadual inclui outros três empreendimentos em diferentes regiões. Cada projeto tem características próprias, de acordo com a localização, a infraestrutura prevista e o perfil das atividades econômicas que poderão ser instaladas.

Em Castanhal, o Condomínio Industrial ocupará aproximadamente 143 hectares e terá 254 lotes previstos em duas etapas. A primeira contará com 119 lotes. A área está localizada às margens da PA-136, no eixo Castanhal–Inhangapi, a cerca de cinco quilômetros da BR-316.

O projeto prevê pavimentação, drenagem, redes de água e esgoto, energia elétrica, iluminação pública e vias preparadas para o tráfego de veículos pesados. Também estão previstos espaços administrativos, institucionais e de apoio.

Segundo a Codec, os projetos de engenharia e o memorial de incorporação já foram elaborados, e o empreendimento possui licenças ambientais prévia e de instalação. A companhia prepara os procedimentos para iniciar a implantação física e a comercialização dos lotes da primeira etapa. O levantamento registra interesse de 112 empresas.

No município de Breves, no arquipélago do Marajó, o projeto prevê uma área de 196,99 hectares e 93 lotes. Os serviços necessários ao licenciamento ambiental foram contratados, com início previsto para outubro de 2026.

O empreendimento deverá considerar o zoneamento econômico e a compatibilidade entre as atividades industriais. O planejamento também leva em conta os incentivos fiscais previstos para indústrias instaladas no arquipélago, conforme a legislação estadual.

Já em Barcarena, a proposta é implantar uma Zona de Processamento de Exportação com 175,81 hectares e 82 lotes. A área está em preparação para a fase de licenciamento ambiental e fica próxima ao Complexo Portuário de Vila do Conde, com acesso terrestre pela Alça Viária e pelas rodovias PA-151 e PA-483.

A Bravo Mineração é a empresa âncora do projeto. Outras três empresas também manifestaram interesse: uma do setor de alimentos e duas ligadas ao segmento de combustível de aviação.

As Zonas de Processamento de Exportação são áreas destinadas à instalação de empresas predominantemente exportadoras, com tratamento tributário, administrativo e cambial específico, conforme as regras do regime. A localização de Barcarena pode favorecer o transporte de insumos e o escoamento de produtos para o mercado internacional.

Distritos existentes já reúnem 220 empresas
A expansão está apoiada em uma estrutura industrial que já movimenta a economia paraense. Segundo levantamento da Diretoria Técnica da Codec, os distritos de Ananindeua, Barcarena, Icoaraci, em Belém, e Marabá reúnem 220 empresas ativas e contabilizam 65.550 empregos diretos e indiretos.

As quatro áreas administradas pela companhia somam 6.597,83 hectares, dos quais 1.713,07 hectares aparecem como disponíveis no levantamento técnico.

Barcarena concentra a maior extensão territorial, com 3.050 hectares, dos quais 1.115,93 hectares estão disponíveis. O distrito reúne 72 empresas ativas e contabiliza 7.320 empregos diretos e 17.280 indiretos.

Em Marabá, os Distritos Industriais I e II totalizam 2.886,23 hectares, com 592,97 hectares disponíveis. As 33 empresas ativas registram 1.980 empregos diretos e 7.920 indiretos.

Ananindeua possui 457,49 hectares e 75 empresas ativas, com 4,17 hectares disponíveis. O levantamento contabiliza 4.500 empregos diretos e 15.750 indiretos. Em Icoaraci, o distrito ocupa 204,11 hectares e abriga 40 empresas, responsáveis por 2.400 empregos diretos e 8.400 indiretos.

Entre as atividades presentes nessas áreas estão indústria de alimentos, logística, transformação mineral, construção naval, produção de materiais de construção, reciclagem, siderurgia e metalurgia. A Codec também prevê ações de manutenção e revitalização, com melhorias em vias, calçadas, sinalização e urbanização.

Áreas subsidiadas buscam atrair empresas
A política de expansão industrial inclui a oferta de terrenos com preços subsidiados, que variam conforme o município e o distrito. A proposta é reduzir os custos de aquisição da área e facilitar a instalação de empreendimentos no Pará.

Nos condomínios industriais, as empresas constroem suas próprias unidades nos lotes adquiridos e utilizam a infraestrutura compartilhada. Em Castanhal, por exemplo, caberá à Codec implantar as estruturas de uso comum, enquanto os empresários serão responsáveis pela construção e instalação de suas unidades.

Para o presidente da Codec, Lutfala Bitar, o planejamento das áreas industriais deve oferecer condições para que os investidores conheçam as possibilidades de instalação e organizem suas operações.

“Quem investe precisa saber onde pode se instalar e quais condições terá para produzir. A Codec planeja as áreas, orienta as empresas e trabalha com os municípios para viabilizar os empreendimentos. O resultado que buscamos é emprego para a população e oportunidades para os negócios paraenses”, afirmou.

Além da geração de empregos nas próprias fábricas, a instalação de indústrias pode ampliar a contratação de transportadoras, fornecedores de equipamentos, prestadores de serviços e empresas de manutenção. Esse movimento pode distribuir parte dos benefícios econômicos dos investimentos para outros setores e municípios.

Verticalização da produção é uma das metas
Outro objetivo da expansão industrial é aumentar a transformação de matérias-primas dentro do Pará, permitindo que uma parcela maior do valor gerado pela produção permaneça no estado.

No setor de alimentos, por exemplo, a instalação de unidades de processamento pode criar demanda por produtos regionais, embalagens, armazenamento e transporte. Em outras cadeias produtivas, o aproveitamento de subprodutos também pode abrir oportunidades para reduzir desperdícios e estimular práticas de economia circular, desde que haja viabilidade técnica e ambiental.

A estratégia combina atração de empresas, organização territorial e incentivo a atividades produtivas capazes de fortalecer a economia regional. Em Santarém, o avanço do projeto poderá ampliar as opções de instalação para empreendedores interessados em atender ao mercado local e a outras regiões.

Empresários interessados em conhecer os projetos e as condições de instalação podem acessar o site oficial da Codec, em codec.pa.gov.br, para manifestar interesse e agendar uma visita às áreas industriais.

Com 146 lotes planejados e potencial estimado de até 10 mil empregos diretos e indiretos, o Distrito Industrial de Santarém é uma das principais apostas da expansão industrial no oeste paraense. A concretização desse potencial, porém, dependerá da conclusão das etapas técnicas, fundiárias e ambientais, além da implantação da infraestrutura e da efetiva instalação das empresas interessadas.

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