Ansiedade pode prejudicar desempenho no Enem; psicóloga dá dicas para manter o foco durante a prova

Nervosismo pode dificultar a concentração e a recuperação de conteúdos já estudados; especialista orienta candidatos sobre como controlar a ansiedade antes e durante o exame.

Depois de meses de preparação, revisões e exercícios, o estudante chega ao Enem com a expectativa de conquistar uma vaga na universidade. Mas, na hora de enfrentar o caderno de questões, a ansiedade pode se tornar uma adversária e comprometer o desempenho. O nervosismo excessivo pode prejudicar a concentração, dificultar a recuperação de informações armazenadas na memória e interferir no raciocínio, mesmo quando o candidato domina o conteúdo.

Pensamentos como “e se eu não conseguir?” ou “e se eu esquecer tudo?” podem consumir a atenção e provocar o chamado “branco” durante a prova. Para ajudar os candidatos a enfrentar essas situações, a psicóloga e professora da Afya Bragança, Ana Claudia Ribeiro de Castro, apresenta orientações para controlar a ansiedade e manter o equilíbrio emocional antes e durante o exame.

Segundo a especialista, nem sempre a dificuldade para responder a uma questão significa falta de conhecimento. Em muitos casos, a ansiedade desvia a atenção para preocupações com o resultado e dificulta o acesso a informações que o estudante já aprendeu. “Nem sempre é falta de conhecimento. Muitas vezes, é uma dificuldade momentânea de acessar aquilo que já foi aprendido”, explica.

Quando o famoso “branco” aparecer, a recomendação é evitar o desespero. O estudante pode parar por alguns segundos, apoiar os pés no chão, relaxar os ombros e respirar lentamente, soltando o ar de maneira prolongada. Em seguida, deve reler o enunciado com calma. Se ainda assim não conseguir avançar, o melhor caminho é seguir para outra questão e retornar àquela depois.

A mesma estratégia vale para perguntas consideradas muito difíceis. A orientação é identificar exatamente o que o enunciado pede, eliminar as alternativas claramente inadequadas e evitar gastar tempo excessivo em uma única questão. Marcar a pergunta para resolvê-la posteriormente pode ajudar a preservar o tempo e a tranquilidade para o restante da prova.

Durante as cinco horas de exame, pequenas atitudes também podem fazer diferença. Fazer respirações lentas, relaxar os ombros e a mandíbula, evitar olhar constantemente para o relógio e realizar pequenas pausas mentais são algumas das estratégias recomendadas. O mais importante é manter a atenção na questão que está sendo resolvida, sem antecipar o resultado final.

Uma orientação simples pode ajudar o candidato a recuperar o controle emocional: “Eu não preciso resolver a prova inteira agora. Preciso apenas lidar com esta questão.”

Na reta final de preparação, a recomendação é priorizar revisões objetivas, manter uma rotina regular de sono, organizar os documentos necessários e reservar momentos de descanso. Tentar aprender grandes quantidades de conteúdo na véspera ou passar a noite estudando pode provocar cansaço excessivo e prejudicar a atenção e a memória.

A psicóloga ressalta que o descanso também faz parte do processo de aprendizagem. “O cérebro também precisa de pausa para organizar aquilo que foi estudado”, afirma.

Outro fator que merece atenção é a pressão por uma boa nota, especialmente dentro de casa. A expectativa pela aprovação pode aumentar a ansiedade e transformar o Enem em uma cobrança emocional ainda maior. Por isso, a especialista recomenda que familiares evitem comparações e cobranças excessivas, respeitem o ritmo dos estudantes e demonstrem apoio durante o período de preparação.

Isso não significa diminuir a importância do exame, mas compreender que o resultado de uma avaliação específica não determina a inteligência, o potencial ou o valor pessoal de ninguém. O candidato pode desejar muito uma vaga na universidade sem transformar a prova em uma medida de sua própria capacidade.

Uma preparação equilibrada envolve estudo, descanso, cuidados com o corpo e atenção à saúde emocional. Organizar os conteúdos, resolver exercícios e conhecer o formato da avaliação são atitudes importantes, mas precisam caminhar junto com sono adequado, alimentação, hidratação e momentos de pausa.

Para a especialista, reconhecer os próprios limites e aprender a lidar com pensamentos negativos são atitudes fundamentais para enfrentar o desafio. Afinal, depois de meses de dedicação, o estudante precisa chegar ao dia da prova não apenas preparado para responder às questões, mas também em condições emocionais de demonstrar tudo o que aprendeu.

Deixe um comentário