Uma denúncia envolvendo um idoso de 96 anos, diabético e com necrose no pé, colocou em xeque a qualidade do atendimento na saúde pública de Ananindeua. Segundo familiares, o paciente teria sido orientado por um médico da UPA do Icuí-Guajará a retornar para casa, apesar da gravidade do quadro e da existência de leito disponível na unidade. A família afirma que precisou pressionar a equipe para garantir procedimentos considerados essenciais, como a troca da sonda gástrica e a realização de curativos.
O caso contrasta com a imagem de excelência apresentada pela gestão municipal em campanhas e divulgações oficiais sobre os serviços de saúde. Para os familiares, a experiência na unidade expôs dificuldades enfrentadas por pacientes em situação de vulnerabilidade e levantou questionamentos sobre a qualidade do atendimento oferecido à população.
Família relata dificuldade para garantir atendimento
De acordo com o relato da família, o idoso chegou à UPA com um quadro considerado grave, especialmente em razão da diabetes e da necrose no pé. Ainda segundo os familiares, houve uma tentativa de encaminhá-lo de volta para casa, mesmo com a disponibilidade de leito na unidade.
A situação teria mudado após a insistência dos familiares, que cobraram a permanência do paciente e a realização dos cuidados necessários. Entre os procedimentos realizados, estão a troca da sonda gástrica e os curativos.
O episódio reacende o debate sobre a diferença entre os indicadores e a propaganda institucional e a experiência de quem depende diariamente da rede pública de saúde. O caso também levanta questionamentos sobre protocolos de atendimento e assistência a pacientes idosos com quadros graves.
Contraste com discurso oficial
A gestão de Daniel Santos, que comandou Ananindeua, utilizou em sua comunicação institucional resultados e reconhecimentos na área da saúde para apresentar o município como referência no atendimento à população.
A denúncia, entretanto, mostra uma experiência diferente vivida por uma família dentro de uma unidade de emergência. O episódio não permite, isoladamente, concluir que exista um problema generalizado na rede municipal, mas reforça a necessidade de esclarecer as circunstâncias do atendimento e verificar se os protocolos previstos foram cumpridos.
A família cobra respostas sobre a conduta adotada no caso e sobre as condições oferecidas ao paciente. A situação também deve ser analisada pelas autoridades responsáveis pela fiscalização da saúde pública, caso sejam formalizadas denúncias.
Até a publicação, não foram apresentados no relato os posicionamentos da direção da UPA ou da Secretaria Municipal de Saúde sobre o atendimento.

