Projeto da Ufopa vai monitorar segurança em reservas extrativistas

Projeto da Ufopa combina inteligência artificial, tecnologia LoRaWAN, RFID e blockchain para ampliar a segurança territorial e a rastreabilidade da bioeconomia amazônica

Uma nova tecnologia desenvolvida pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) pretende levar inteligência, rastreabilidade e segurança a áreas extrativistas da Amazônia onde internet, energia elétrica e acesso físico são limitados. O projeto “Sentinela da Mata: inteligência e rastreabilidade para a bioeconomia amazônica” foi aprovado e está sendo desenvolvido em parceria com a Empresa Brasileira de Inovação e Pesquisa Industrial (Embrapii), por meio da Unidade Bioforest.

A proposta é instalar dispositivos inteligentes, chamados de “sentinelas”, em pontos estratégicos da floresta. Os equipamentos deverão identificar automaticamente extrativistas autorizados, acompanhar atividades de coleta e detectar movimentações consideradas suspeitas em áreas protegidas.

Coordenado pelo professor Me. Clayton Santos, do curso de Sistemas de Informação do Campus Oriximiná, o projeto começa com o levantamento dos requisitos e visitas às áreas onde a tecnologia será implantada. Segundo o coordenador, essa etapa será fundamental para compreender as condições e os desafios encontrados no ambiente amazônico antes da construção definitiva do sistema.

“A etapa inicial é de levantamento dos requisitos e de ida ao campo para avaliar a complexidade do lócus de implementação e, em seguida, planejar o desenvolvimento do sistema”, explica Santos.

Tecnologia para vencer os desafios da floresta

O projeto parte de um problema recorrente na Amazônia: as soluções convencionais de monitoramento enfrentam obstáculos provocados pela baixa cobertura de internet, dificuldade de acesso, restrições de energia e altos custos de operação.

Para superar essas barreiras, o Sentinela da Mata combina diferentes tecnologias em uma infraestrutura desenvolvida especificamente para ambientes florestais. Entre elas estão inteligência artificial, LoRaWAN, RFID passivo e blockchain.

Os dispositivos poderão operar com comunicação de longo alcance e alimentação solar, permitindo o monitoramento contínuo mesmo em locais sem conexão convencional à internet ou acesso à rede elétrica.

A tecnologia também prevê mecanismos de autenticação digital e geração de alertas em tempo real para identificar atividades suspeitas. Em uma etapa futura, o sistema poderá incorporar sensores acústicos inteligentes capazes de auxiliar na identificação de sons de motosserras, queimadas e outras possíveis ameaças ambientais.

Blockchain para garantir a origem da produção

Outro componente central da iniciativa é o uso de blockchain para registrar as atividades de coleta. A tecnologia permitirá criar registros imutáveis das operações realizadas, contribuindo para reduzir riscos de fraude e aumentar a confiabilidade das informações sobre a origem dos produtos extrativistas.

Com isso, a proposta busca fortalecer a rastreabilidade da produção, ampliar a transparência das cadeias produtivas e contribuir para a agregação de valor aos produtos da bioeconomia amazônica.

Além da dimensão econômica, o sistema pretende reforçar a proteção territorial. A autenticação dos usuários e o monitoramento automatizado poderão contribuir para identificar movimentações não autorizadas e fornecer informações para ações de proteção das áreas monitoradas.

Equipe reúne 14 pesquisadores e estudantes

O projeto reúne 14 integrantes, sendo seis docentes da Ufopa, dois docentes pesquisadores de pós-doutorado e seis bolsistas de iniciação científica. Os estudantes são da graduação em Sistemas de Informação dos campi de Santarém e Oriximiná.

O desenvolvimento teve início em setembro de 2026 e foi organizado em três etapas principais:

  • Etapa 1 – Planejamento e arquitetura: levantamento de requisitos, planejamento e definição da arquitetura do sistema distribuído;
  • Etapa 2 – Desenvolvimento e campo: aquisição de equipamentos, testes em bancada e realização da primeira instalação em campo;
  • Etapa 3 – Operação e transferência: monitoramento operacional, integração com blockchain e transferência da tecnologia.

A expectativa é que o Sentinela da Mata resulte em uma infraestrutura tecnológica capaz de unir proteção territorial, segurança da informação e rastreabilidade em áreas extrativistas, criando novas ferramentas para o fortalecimento de uma bioeconomia amazônica sustentável.

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