Defesa Civil recomenda kit de emergência para garantir sobrevivência da família por até 72 horas

Orientação prevê reserva de água, alimentos, medicamentos e itens de comunicação para enfrentar situações de emergência que possam interromper serviços essenciais e dificultar a chegada de equipes de socorro.

Uma reserva de água potável, alimentos, medicamentos e uma lanterna pode fazer a diferença nos primeiros três dias de uma situação de emergência. A Defesa Civil do Brasil publicou nesta sexta-feira (6) orientações para que as famílias organizem um kit de sobrevivência com suprimentos suficientes para garantir autonomia por até 72 horas, período considerado fundamental diante de desastres que possam comprometer o abastecimento e dificultar o acesso das equipes de resgate.

A recomendação tem caráter preventivo e busca preparar a população para enfrentar situações como enchentes, tempestades, apagões e outros eventos extremos. Nessas circunstâncias, estradas podem ficar bloqueadas, estruturas essenciais podem ser danificadas e serviços como fornecimento de energia elétrica, água potável, telefonia e internet podem sofrer interrupções.

Entre os principais itens recomendados está a reserva de água: a orientação é separar dois litros por pessoa ao dia, totalizando pelo menos seis litros para cada integrante da família durante os três dias. Também é importante manter alimentos não perecíveis, como barras de cereais, frutas secas, biscoitos e enlatados, que possam ser consumidos sem necessidade de preparo complexo.

O kit deve incluir ainda medicamentos de uso contínuo, receitas médicas, álcool em gel e produtos de higiene pessoal. Pessoas que utilizam equipamentos médicos, como medidores de glicose, precisam garantir que esses dispositivos e seus acessórios estejam disponíveis.

A comunicação também merece atenção. Como situações de emergência podem provocar a queda de energia e dos serviços de telefonia e internet, a Defesa Civil recomenda incluir lanternas, pilhas extras armazenadas separadamente, carregadores, baterias portáteis (power banks) e um rádio AM/FM, que permite acompanhar informações e comunicados oficiais mesmo quando outros meios de comunicação estiverem indisponíveis.

Documentos pessoais, cópias de registros importantes, dinheiro em espécie e uma lista de contatos de emergência também devem fazer parte da preparação. Esses materiais precisam ser protegidos em uma pasta impermeável. Mudas de roupa e sacolas plásticas completam os itens de utilidade geral.

A preparação deve considerar ainda as necessidades específicas de cada família. Bebês, crianças, idosos, pessoas com necessidades especiais e animais de estimação podem exigir medicamentos, alimentos, produtos de higiene e outros suprimentos próprios.

A orientação brasileira acompanha iniciativas preventivas adotadas em outros países. No Reino Unido, a campanha Be Ready incentiva as famílias a manter reservas suficientes para três dias, especialmente diante de tempestades e apagões. Na União Europeia, diretrizes da Comissão Europeia também recomendam que a população tenha condições de enfrentar situações adversas com autonomia por período semelhante, incluindo riscos climáticos e cibernéticos.

No Japão, a preparação é ainda mais abrangente: o governo orienta a manutenção de estoques capazes de atender às necessidades familiares por até sete dias. Uma das estratégias recomendadas é o chamado rolling stock, sistema de reposição contínua no qual os produtos são consumidos e substituídos regularmente, evitando que os suprimentos percam a validade.

A Defesa Civil ressalta que a recomendação não significa que exista uma crise iminente ou uma ameaça específica em andamento. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a cultura de prevenção e garantir que a população esteja preparada para responder às primeiras horas de uma emergência, quando o acesso à assistência externa pode ser limitado.

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